Guia do WhizCV
Como fazer um currículo: o passo a passo completo
Fazer um currículo assusta principalmente porque tentamos resolver tudo de uma vez. Dividido em cinco passos — cabeçalho, resumo profissional, experiência, adaptação à vaga e lacunas — vira uma sequência de tarefas pequenas e claras. Aqui percorremos cada passo, com exemplos do que funciona e do que não funciona, pensados para o mercado brasileiro.
Passo 1: cabeçalho e dados de contato
Comece com seu nome em destaque e, logo abaixo, o cargo ao qual você se candidata ou que descreve seu perfil — algo como "Analista de Marketing" ou "Técnico em Manutenção". Essa linha já posiciona você antes mesmo de a pessoa continuar lendo.
Em seguida, telefone com DDD, e-mail e cidade/estado. Use um e-mail profissional, com nome e sobrenome. Um perfil do LinkedIn atualizado e, quando fizer sentido, um portfólio ou GitHub podem entrar aqui. Nada além disso: CPF, RG, estado civil, foto e data de nascimento não vão no currículo brasileiro em 2026 — esses dados ficam para a fase de admissão.
Passo 2: o resumo profissional — sua resposta a "por que continuar lendo?"
O resumo profissional responde, em duas ou três frases, por que vale a pena continuar lendo. A fórmula que funciona: quem você é profissionalmente + quanta experiência você tem + seu resultado mais forte ou sua especialização.
A comparação deixa isso claro. "Busco uma nova oportunidade em um ambiente dinâmico e desafiador" não diz nada. "Profissional de vendas com 5 anos de experiência em software B2B; no último ano, fechei negócios que somaram mais de R$ 2 milhões" diz o essencial em cinco segundos. Escreva o resumo por último: com experiência e habilidades já prontas, a síntese sai muito mais fácil.
Passo 3: experiência — resultados em vez de tarefas
Esta seção é a que decide. Organize as experiências em ordem cronológica reversa, da atual para trás. Cada uma leva cargo, empresa e período e, abaixo, de 3 a 5 tópicos com resultados.
A diferença entre um tópico fraco e um forte é o resultado mensurável. A fórmula é simples: ação + objeto + efeito medível. Na prática:
- Em vez de "Responsável pelo atendimento ao cliente" → "Atendi mais de 40 chamados por dia, com 95% de avaliações positivas";
- Em vez de "Participei de projetos de automação" → "Automatizei o relatório mensal e reduzi o tempo de elaboração de 3 dias para 4 horas";
- Em vez de "Liderança de equipe" → "Liderei um time de 8 pessoas e reduzi a rotatividade da área pela metade em um ano".
Passo 4: adaptar à vaga — e ficar legível para ATS
Um único currículo para todas as vagas é o erro evitável mais comum. Leia a descrição da vaga com atenção e use a linguagem dela: se pede "gestão de projetos" e foi isso que você fez, escreva "gestão de projetos", não um sinônimo. Ajuste resumo e habilidades a cada candidatura; as experiências em si permanecem estáveis.
Há um segundo motivo para essa disciplina. Muitas empresas no Brasil recebem candidaturas por plataformas com triagem automatizada (ATS), como a Gupy e similares, que filtram candidaturas por palavras-chave e por respostas do formulário antes de qualquer pessoa ler. Esses sistemas procuram os termos da vaga e leem melhor as estruturas simples.
Ser amigável para ATS significa, na prática: títulos claros, layout em coluna única, fonte comum, sem tabelas aninhadas, sem caixas de texto, sem barras de habilidade ou gráficos. Um currículo bem estruturado, aliás, não é só legível para a máquina — também é mais rápido de captar para a pessoa apressada do outro lado.
Passo 5: explicar lacunas com segurança
Períodos sem trabalho formal preocupam mais do que precisam. Costuma-se considerar lacuna apenas um intervalo inexplicado de mais de dois ou três meses; ninguém espera que transições curtas entre dois empregos sejam justificadas.
A regra para pausas reais é assumir, em vez de esconder. Uma linha honesta — "licença-maternidade", "cuidado de familiar", "transição de carreira com curso em X" — transmite segurança e tira o peso do assunto na entrevista. Quem disfarça lacunas esticando períodos ou omitindo meses corre o risco de perder a confiança quando isso aparece — e costuma aparecer.
Melhor ainda: transforme a pausa em conteúdo. Um curso, uma certificação, um projeto pessoal ou trabalho voluntário nesse período converte a lacuna em uma passagem com valor próprio.
O acabamento: erros que colocam tudo a perder
Por fim, as armadilhas em que até candidatos experientes caem:
- Erros de ortografia — leia em voz alta e peça a revisão de outra pessoa; um deslize apaga a impressão de anos de trabalho;
- Currículo único para todas as vagas — resumo e habilidades merecem ajuste a cada candidatura;
- Frases vazias — toda autodescrição precisa de um exemplo ou de um número;
- Barras de habilidade e porcentagens ("Excel 80%") — não dizem nada concreto e são ilegíveis para ATS;
- Pretensão salarial sem ninguém pedir — só inclua se a vaga solicitar de forma explícita;
- Excesso de páginas — quem não cabe em duas páginas corta o antigo e irrelevante, não as margens.
Perguntas frequentes
Até quando devo detalhar minha experiência profissional?
Detalhe com cuidado os últimos 10 a 15 anos. Passagens mais antigas você resume em uma ou duas linhas, ou omite se não forem relevantes — quem recruta se interessa sobretudo pela sua experiência mais recente.
Como fazer um currículo sem experiência?
Coloque formação, cursos, estágios, projetos e trabalho voluntário à frente — cada item pode mostrar um resultado: um projeto concluído, um evento organizado, uma tecnologia aprendida. Direcione o resumo profissional para o que você quer construir, e não para os anos que faltam.
A partir de quando um intervalo vira lacuna?
Costuma-se considerar que exige explicação uma pausa inexplicada a partir de cerca de dois a três meses. Transições curtas entre empregos são normais. Pausas reais você nomeia com honestidade em uma linha — isso soa muito mais seguro do que qualquer disfarce.
Preciso colocar pretensão salarial no currículo?
Só se a vaga pedir. Quando não é solicitada, informar a pretensão pode tirar você do processo cedo demais, por excesso ou por falta. Se a vaga exigir, coloque uma faixa realista com base em pesquisa de mercado, e não um número fixo.
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